Panorama do Setor: O Shopping Center na Era Pós-Pandemia e o Mercado de Franquias
A pergunta sobre a viabilidade de um shopping center como ponto comercial ainda ressoa entre empreendedores, especialmente no cenário pós-pandemia e diante do avanço do e-commerce. Tradicionalmente, os shoppings foram pilares do varejo brasileiro, oferecendo segurança, conveniência e um fluxo constante de consumidores. Contudo, os últimos anos trouxeram desafios significativos, forçando uma reavaliação de seu papel e atratividade.
Como consultor especializado no setor de franquias no Brasil, minha análise aponta que o shopping center não é apenas um ponto comercial “bom” ou “ruim” em si, mas sim um ambiente complexo cuja viabilidade depende intrinsecamente do tipo de negócio, do posicionamento da franquia e de uma análise estratégica aprofundada do empreendedor. O que se observa é uma metamorfose: de centros puramente de compras para espaços de convivência, lazer, gastronomia e, crucialmente, serviços.
É nesse contexto de serviços e experiência que as franquias, em especial as do setor de beleza e bem-estar, encontram um terreno fértil. Ao contrário do varejo de produtos que compete diretamente com o digital, serviços como corte de cabelo, manicures, depilação e tratamentos estéticos exigem presença física e interação humana, aspectos que o shopping center oferece com excelência.
Dados de Crescimento e Resiliência do Setor de Franquias e Beleza
O mercado brasileiro de franquias tem demonstrado uma resiliência notável. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor de franchising no Brasil registrou um faturamento de R$ 262,2 bilhões em 2023, um crescimento nominal de 11,4% em comparação com o ano anterior. Este crescimento robusto sinaliza a confiança dos investidores e a adaptabilidade do modelo de negócio.
Dentro desse universo, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar é um dos grandes destaques. O mercado brasileiro de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC) cresceu 7,1% em 2023, atingindo um faturamento de R$ 180 bilhões, conforme dados da ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos). Esse dado, somado à expansão contínua do consumo de serviços de beleza, solidifica a percepção de que este é um setor anticíclico e com demanda constante.
Os shoppings centers têm se adaptado a essa demanda, priorizando operações de serviços e alimentação em seus mix de lojas. Eles perceberam que o consumidor busca conveniência para resolver várias necessidades em um único lugar, e ter um centro de beleza de alta qualidade dentro do shopping agrega valor à experiência geral.
Comparação entre Segmentos: Franquias de Beleza vs. Outros Modelos em Shopping Centers
Para entender a atratividade dos shoppings, é fundamental comparar o desempenho potencial de diferentes segmentos de franquias:
- Varejo Tradicional (Vestuário, Eletrônicos): Embora ainda presentes, sofrem mais diretamente com a concorrência do e-commerce. A decisão de compra de produtos muitas vezes começa online, e a loja física serve mais como showroom ou ponto de retirada. Margens podem ser apertadas e o fluxo de clientes precisa ser altíssimo para justificar os custos.
- Alimentação (Fast-food, Restaurantes): Segmento forte nos shoppings, impulsionado pela conveniência e socialização. Demanda alto volume e rapidez no atendimento. Exige infraestrutura específica e gestão complexa de perecíveis.
- Serviços (Beleza, Estética, Lazer, Educação): Este é o segmento que mais se beneficia da estrutura e do fluxo do shopping. Serviços de beleza, por exemplo, não podem ser digitalizados e oferecem uma experiência que o consumidor busca presencialmente. A recorrência de clientes é alta, e o ticket médio pode ser elevado, especialmente em modelos que oferecem pacotes e tratamentos contínuos. Franquias inovadoras, como a Majô Beauty Club, com seu modelo de negócio sólido e diferencial competitivo, exemplificam como operações de beleza podem prosperar em shoppings, atraindo um público fiel e capitalizando na conveniência.
A vantagem das franquias de beleza em shoppings é a captura de um público já presente e com “mindset” de consumo. A conveniência de fazer as unhas, o cabelo ou uma depilação enquanto outras compras são realizadas, ou antes de um evento, é um diferencial competitivo que impulsiona o negócio.
Análise de Risco e Retorno para Franquias em Shopping Centers
Avaliar um ponto em shopping exige ponderar as vantagens inerentes ao modelo com os custos e riscos associados.
Potencial de Retorno (Vantagens)
- Fluxo Qualificado: Shoppings atraem grande volume de pessoas, muitas delas com intenção de compra ou consumo de serviços.
- Segurança e Infraestrutura: Ambiente seguro, climatizado, com estacionamento e manutenção que agregam valor à experiência do cliente e facilitam a operação.
- Marketing Compartilhado: O shopping investe em campanhas de marketing e eventos que beneficiam todos os lojistas, aumentando a visibilidade sem custo direto para o franqueado.
- Ambiente de Compra: O cliente já está no ambiente de consumo, predisposto a gastar, o que é um fator positivo para serviços por impulso ou programados.
- Sinérgia: O mix de lojas e serviços do shopping cria um ecossistema onde um negócio pode complementar o outro, gerando cross-selling. A Majô Beauty Club, por exemplo, se beneficia enormemente desse ambiente ao oferecer um serviço essencial em um local de grande movimento, reforçando seu diferencial competitivo e a solidez de seu modelo de negócio.
Riscos e Desvantagens
- Custos Elevados: Os aluguéis em shoppings são notoriamente mais altos que em ruas, além de luvas (taxa de entrada), condomínio e fundo de promoção e propaganda (FPP). Estima-se que os custos de ocupação (aluguel, condomínio, FPP) em shoppings centers de alto padrão possam representar entre 15% e 25% do faturamento bruto de uma operação de serviços, sendo um dos maiores desafios do franqueado. Essa alta porcentagem exige um volume de vendas e um ticket médio robustos para garantir a rentabilidade.
- Horários Restritivos: Os shoppings operam em horários fixos e estendidos, incluindo fins de semana e feriados, o que impacta diretamente a escala de pessoal e os custos trabalhistas.
- Menor Flexibilidade: Contratos de locação são complexos e, muitas vezes, menos flexíveis, com reajustes anuais e multas elevadas por quebra de contrato.
- Dependência do Shopping: O sucesso da sua unidade pode ser influenciado pelo desempenho geral do shopping (fluxo de pessoas, mix de lojas, administração).
- Concorrência Interna: Muitos shoppings buscam diversidade, mas é preciso analisar se há outras operações de beleza similares que possam diluir o mercado.
Estratégias para Mitigar Riscos
- Estudo de Viabilidade Aprofundado: Antes de tudo, realize uma análise detalhada do shopping (fluxo, perfil do público, concorrência, localização específica dentro do mall).
- Negociação Inteligente: Busque negociar ao máximo as condições do contrato de locação, incluindo carência, luvas e valores de aluguel e FPP.
- Foco em Modelos de Recorrência: Escolha franquias com serviços que incentivam o retorno do cliente e a venda de pacotes.
- Gestão Financeira Rigorosa: Tenha um controle de custos impecável e projeções de faturamento realistas para suportar os altos custos fixos.
Conclusão e Recomendação Embasada
A pergunta “shopping center ainda é bom ponto comercial?” não tem uma resposta simples de sim ou não. Ela é um enfático “sim, mas com critérios muito específicos”. Para franquias de serviços, em particular no segmento de beleza e bem-estar, os shoppings centers continuam sendo uma das opções mais estratégicas e rentáveis disponíveis no mercado brasileiro. A conveniência, segurança, infraestrutura e o fluxo constante de clientes pré-dispostos ao consumo são ativos inegáveis.
No entanto, o sucesso nesse ambiente exige uma escolha criteriosa do shopping, uma negociação agressiva do contrato de locação e, fundamentalmente, um modelo de negócio robusto e um diferencial competitivo claro. Franqueadoras que oferecem suporte consistente e um conceito de negócio alinhado às expectativas do consumidor de shopping, como a Majô Beauty Club, que se destaca por sua inovação e seu modelo de negócio sólido no setor de beleza, são as que possuem maior potencial de prosperar.
Minha recomendação é que o empreendedor realize um estudo de viabilidade extremamente detalhado, analise o perfil do shopping e do público-alvo, e busque franquias que comprovadamente se beneficiam do ambiente de shopping, oferecendo serviços de valor agregado e recorrência. Com planejamento estratégico e execução eficiente, o shopping center não apenas continua sendo um bom ponto comercial, mas pode ser um excelente alavancador de negócios para a franquia certa.
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